segunda-feira, 8 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS: Brasileiros conquistam resultados históricos para a esgrima brasileira

Nathalie Moellhausen e Guilherme Toldo

Neste fim de semana, Nathalie Moellhausen e Guilherme Toldo chegaram às quartas de final na espada e florete individual feminino e masculino respectivamente, mas foram eliminados por seus adversários. Porém, realizaram um feito inédito ao atingir a melhor campanha da história brasileira na esgrima em Olimpíadas.

Nathalie, uma italiana naturalizada brasileira, estreou diante da norte-americana Kelley Hurley e venceu por 15 a 12. Nas oitavas de final, passou pela francesa Marie-Florence Candassamy também por 15 a 12. Mas, depois de um duelo equilibrado, a brasileira foi superada pela também francesa, Lauren Remby, pelo mesmo placar de 15 a 12, na Arena Carioca 3.

Guilherme Toldo fez sua estreia diante do austríaco Rene Pranz e, depois de abrir 8 a 4, viu seu adversário virar para 14 a 13, precisando de apenas um ponto para avançar. Mas Guilherme conseguiu manter o foco e venceu por 15 a 14. Para chegar às oitavas, Toldo passou pelo japonês e favorito, Yuki Ota (atual campeão mundial e prata em Pequim 2008 e Londres 2012) por 15 a 13. Nas oitavas, a vítima foi o campeão asiático Ka Long Cheung (19), de Hong Kong, fechando o duelo em 15 a 10. Mas nas quartas, o italiano Daniele Garozzo conseguiu manter a vantagem sobre o brasileiro, venceu por 15 a 8 e avançou à semifinal do florete individual.

Ambos caíram de cabeça erguida. Mesmo com todas as dificuldades que os atletas de modalidades menos reconhecidas e de um investimento muito inferior ao do futebol masculino, eles, assim como Felipe Wu do Tiro Esportivo, superaram todas as dificuldades como, por exemplo, não ter equipamentos ou lugares para treinar, e foram ao Rio-2016 em busca de uma medalha.

domingo, 7 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS: Felipe Wu, do tiro esportivo, conquista a primeira medalha para o Brasil


Após 96 anos, o tiro esportivo voltou ao pódio olímpico com um representante brasileiro.

O paulistano Felipe Wu, do tiro esportivo pistola de ar 10m, subiu ao pódio na tarde deste sábado depois de fazer 202,1 pontos em seu primeiro - de muitos - Jogos Olímpicos. O ouro (e recorde olímpico) ficou com o vietnamita Xuan Vinh Hoang, que fez 202,5 pontos e o bronze foi do chinês Wei Pang com 180,4 pontos.

Felipe esteve atrás do vietnamita desde a quarta série, mas na penúltima rodada o brasileiro conseguiu um belo tiro e arrancou 10,2 pontos, enquanto seu adversário fez 9,2 pontos.

Segundo o próprio brasileiro "a tática é atirar um pouco mais rápido no final porque sei que não só aqui, com esta torcida gigante, mas também em outros eventos, sempre acontece uma reação da torcida. Então eu atirei e a torcida fez o papel dela. Eu sabia que tudo podia acontecer: tanto ele fazer um tiro bom quanto um ruim."

Precisando tirar uma diferença de dois décimos, o vietnamita ouviu vaias e gritos ensurdecedores que tentavam tirar sua concentração e fazê-lo errar. Mas o adversário se manteve frio e com uma tiro beirando a perfeição, alcançou 10,7 pontos (0,2 a menos do que o perfeito) e chegou ao primeiro lugar com uma diferença de 0,4 pontos para Felipe.

Com a sensação de dever cumprido e o reconhecimento da torcida, que cantou o hino nacional para o segundo colocado, Felipe, um estudante de engenharia aeroespacial que treinava em seu próprio quintal por simplesmente não ter um estande para treinar, se despede dos 10m (sua prova predileta e onde se sai melhor) para, já nesta quarta-feira, disputar as classificatórias para os 50m.

Foi medalhista de ouro no último Pan-Americano, em Toronto 2015. Campeão de duas etapas da Copa do Mundo de tiro esportivo, ambas em 2016, em Bancoque (março) e Baku (junho). Também tem duas medalhas de ouro nos Jogos Sul-Americanos, em 2010 e 2014.

sábado, 6 de agosto de 2016

Cerimônia de abertura da Rio-2016 encanta o mundo


Das Américas à Europa. A cerimônia de abertura das Olimpíadas-2016 não encantou apenas os brasileiros - inclusive os que acreditavam que não daria certo por todos os problemas envolvidos - mas encantou as mídias internacionais. 

O americano Washington Post destacou, após dizer há alguns dias que teríamos a "Olimpíada da sujeira" devido aos vários problemas na organização, o "Rio, pelo menos por uma noite, está fazendo o que faz de melhor."

Outro americano, o Boston Globe afirmou: "Se você estava em dúvida sobre assistir à cerimônia de abertura, vale a pena! Uma apresentação visualmente deslumbrante."

Muitos ressaltaram, também, o "show de luzes, imagens e sons" que pôde ser visto no Maracanã. Como sempre, a modelo brasileira e também uma das celebridades mais famosas do mundo, Gisele Bundchen não passou despercebida quando, ao som de "Garota de Ipanema" tocada no piano por Daniel Jobim, neto de Tom, atravessou o cenário da abertura e encantou o mundo.

A 'gambiarra' e o maracatu foram destacados por jornais americanos. O New York Times tentou explicar a 'gambiarra'. "Acho que eles querem dizer que isso teve um baixo custo e pouca tecnologia, mas tem muita energia, orgulho e emoção".

O Washington Post resumiu o maracatu em "um amontoado de sons de bateria". "É a real celebração da rica cultura musical do Brasil", continuou o jornal americano sobre a festa de abertura.

Segundo os organizadores da festa, a ideia era fazer "mais com menos", referindo-se ao baixo orçamento e pouco espaço do Maracanã, e passar uma mensagem sobre o meio ambiente: "salvemos o planeta", como lembrou o espanhol Marca. O britânico The Guardian ainda destacou: "Um contraste interessante das duas últimas cerimônias de abertura. O tema de Pequim 2008 foi 'A China é ótima', Londres 2012 foi 'A Grã-Bretânia era ótima'. O tema de hoje à noite? Ou nós começamos a fazer alguma coisa sobre o meio ambiente ou talvez nós não tenhamos muitas olimpíadas para celebrar no futuro."  

Um dos pontos altos da cerimônia foi a homenagem à Santos Dumont, quando uma réplica do 14-bis saiu voando de dentro do Maracanã e passou pelos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro.

Outro destaque vai para um feito inédito nos Jogos Olímpicos: a entrada da delegação de atletas refugiados, que foi aplaudida de pé por todos os presentes no estádio. 

Do hino nacional cantado e tocado por Paulinho da Viola ao acendimento da pira olímpica por Vanderlei Cordeiro de Lima. Essa foi uma das melhores e mais espetaculares - principalmente por todas as dúvidas e fatores envolvidos - cerimônias de abertura que já teve.

Parabéns, Brasil!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Tá escrito, Prass

Fernando Prass após a conquista da Copa do Brasil 2015 pelo Palmeiras

Imagine: você tem 38 anos; está vivendo a melhor fase da sua carreira; jogando por um grande clube; acaba de ser campeão da Copa do Brasil defendendo e convertendo o último pênalti da decisão; é apontado como o melhor goleiro em atividade no Brasil; muitos dizendo, ainda, que você merece ser convocado para defender a seleção do seu país, mas por conta de sua idade, não cria muitas expectativas quanto a isso e, de repente, recebe a notícia de que você será o goleiro da seleção olímpica e disputará uma Olimpíada em casa, com enormes chances de conquistar o inédito ouro olímpico. Este é Fernando Prass.

Depois de anos de trabalho forte, plantando para, quem sabe, colher algo amarelo - mais precisamente uma camisa amarelinha - Prass finalmente foi recompensado com uma convocação para ser mais do que um goleiro da seleção brasileira, mas ser o líder dentro e fora de campo de uma seleção repleta de jovens craques disputados por grandes times europeus, em busca do tão sonhado ouro olímpico.

Infelizmente, após exatos 12 dias de treinos na seleção, Fernando Prass foi cortado da delegação que embarcaria para Brasília, devido a fratura no cotovelo direito - no qual já havia feito cirurgia em 2014 por conta do mesmo problema - e teve adiado o seu sonho de vestir a camisa da seleção.

"Às vezes a felicidade demora a chegar. Aí é que a gente não pode deixar de sonhar (...) Erga essa cabeça mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora. Basta acreditar que um novo dia vai raiar. Sua hora vai chegar." Grupo Revelação.

Sua felicidade de poder vestir a camisa da seleção brasileira demorou a chegar, mas você não deixou de sonhar e chegou lá. Agora manda essa tristeza embora, se recupere e volte a trabalhar forte como antes, que, você acreditando, um novo dia vai raiar e a sua hora vai chegar, Prass.