terça-feira, 23 de agosto de 2016

Qual é o verdadeiro legado das Olimpíadas?


Maior número de medalhas conquistadas pelo Brasil na história. Mais ouros ganhos pelo Brasil em uma só edição de Jogos Olímpicos. Quebra de quase 80 recordes olímpicos e mundiais em todas as modalidades. Esses foram alguns dos resultados dessa Olimpíada. Mas afinal, qual será o legado deixado pelo Jogos Olímpicos Rio-2016?

De acordo com o G1, do orçamento de R$ 38,2 bilhões, R$ 24,6 bilhões foram gastos em obras que ficarão de 'herança' para a cidade. Boa parte dos investimentos foram pensados, principalmente, para evitar que aconteça o mesmo que nos estádios da Copa do Mundo de 2014, visto que muitos viraram verdadeiros elefantes brancos (Arena das Dunas, por exemplo). 

Para não deixar o mesmo legado que a Copa de 2014, como obras inutilizadas após o término da competição, a prefeitura do Rio de Janeiro gastará em torno de R$ 1 bilhão em manutenções e adaptações que serão realizadas nos espaços olímpicos, principalmente nas Arenas esportivas.

A Arena Carioca 3 (do taekwondo e esgrima) deverá ser convertida em escola municipal. A prefeitura planeja instalar um Ginásio Experimental Olímpico, que atenderá cerca de 850 estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

As estruturas construídas para a Rio-2016, serão mantidas e transformadas em alojamentos e centros de treinamento para esportes olímpicos, como tiro com arco, atletismo, entre outros. Cerca de 160 locais de treinamento para os atletas olímpicos, também ficarão como herança para 18 estados do Brasil, deixando um legado esportivo não só para o estado sede, mas para todo o país.

Além de legados esportivos, outras construções serão utilizadas após os Jogos. Um laboratório antidoping renovado (Ladetec); transportes urbanos (BRT's, VLT, Linha 4 de metrô); aprimoramentos e ampliações de hotéis, melhorando o turismo na cidade; reforma do Aeroporto Internacional do Galeão.

O legado esportivo que as Olimpíadas deixam no Brasil, são as medalhas que vieram de esportes com menos - ou quase nenhum - investimento por parte do governo brasileiro. Boxe e salto com vara (ouro); canoagem (prata e bronze) e tiro esportivo (prata); taekwondo (bronze) foram esportes que, apesar de trazerem medalhas, recebem um apoio muito inferior à outras modalidades que não pegaram nem pódio (natação, por exemplo).

Modalidades como arremesso de peso e de martelo, canoagem slalom, esgrima e levantamento de peso não ganharam medalhas, mas fizeram história pelo Brasil, seja chegando a um lugar que nenhum atleta brasileiro jamais chegou ou 'apenas' quebrando recordes. Basquete, handebol, tênis de mesa e polo aquático, são esportes que, apesar de contarem com baixo investimento, mostraram que com um apoio maior, podem fazer bonito em Tóquio-2020.

O principal motivo pelo qual os Estados Unidos sempre liderarem o quadro de medalhas e se destacarem em quase todos os esporte olímpicos, é, além do investimento, o fato deles terem um trabalho com os atletas, que começa desde pequeno. Com o passar do tempo, a criança que antes treinava por lazer, passará a treinar para competir, sem deixar de se divertir, e isso, multiplicado pelos vários centros de treinamento e, consequentemente, atletas de qualidade, fará com que os EUA sempre consiga pelo menos um atleta de elite que tenha a capacidade de subir no pódio.

A maior esperança brasileira para os Jogos de 2020 é o próprio governo brasileiro juntamente com o ministério do esporte. Se o apoio for maior e, consequentemente, o investimento também, a chance do Brasil se destacar e alcançar o sonhado Top 10 no quadro de medalhas, é muito maior.

domingo, 21 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS: Brasil bate Alemanha e conquista o inédito ouro olímpico

Heróis do título 

Neste sábado (20), a seleção brasileira masculina conquistou o único título que faltava para a galeria do país pentacampeão mundial: o ouro olímpico.

Depois do empate em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, o jogo foi para os pênaltis. Depois de quatro cobranças para cada lado, Weverton defendeu a de Petersen e Neymar garantiu o ouro para o Brasil.

No tempo normal, Neymar acertou uma belíssima cobrança de falta aos 26 minutos da primeira etapa e colocou o Brasil na frente. A seleção brasileira ainda chegou mais vezes, mas foram os alemães que levaram mais perigo. Meyer, aos 31, com um chute defendido por Weverton e Bender, aos 34, acertando o travessão assustaram os mais de 70 mil presentes no estádio.

Logo aos 13 minutos da segunda metade, Meyer diminuiu para a Alemanha após um chute cruzado, mas os espectadores não pensaram em um novo Maracanazzo e intensificaram os gritos de apoio à seleção.

Com a igualdade mantida também na prorrogação, a disputa foi para os pênaltis. Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha e Luan acertaram para o Brasil; enquanto que Ginter, Gnabry, Brandt e Sule converteram para a Alemanha. Petersen bateu e Weverton defendeu a última cobrança dos alemães. Coube então a Neymar, tão criticado durante as Olimpíadas, converter para o Brasil e fazer o Maracanã explodir em gritos de "É campeão".

Weverton passou de questionado e goleiro inseguro a herói nacional. Neymar deixou para trás todas as críticas e questionamentos sobre seu real papel dentro da seleção, para dar o único título que faltava para o maior campeão mundial. 

A conquista do ouro olímpico em cima da Alemanha, jamais apagará o vexame que o Brasil passou em pleno Mineirão ao perder por 7 a 1 e ser eliminado da Copa do Mundo de 2014.

Coroado com o título 

JOGOS OLÍMPICOS: Isaquias Queiroz se torna o primeiro brasileiro com três medalhas numa mesma edição de Olimpíadas

Erlon de Souza e Isaquias Queiroz após a conquista da prata

Natural de Ubaitaba (a popular 'cidade das canoas'), Isaquias disse, antes de sua primeira prova, que seu objetivo era sair dessa Olimpíada com três medalhas, não importava a cor. Ele cumpriu. 

Isaquias conquistou a prata na C1 1000m e o bronze na C1 200m remando sozinho. Ao lado de Erlon de Souza, na C2 1000m, ele conseguiu sua terceira medalha na Rio-2016 e entrou para a história do Brasil: se tornou o primeiro brasileiro a conseguir três medalhas em uma mesma edição de Jogos Olímpicos.

A dupla brasileira liderou pelos primeiros 750 metros, mas o alemães Sebastian Brendel (ouro na C1 1000m) e Jan Vandrey aumentaram o ritmo no final e ficaram com o ouro em um tempo de 3min43s. Isaquias e Erlon terminaram a prova em segundo, com 3min44s. O bronze foi para os ucranianos Dmytro Ianchuk e Taras Mishchuk, com 3min45s.

O menino que remava como meio de transporte, teve que superar a morte de seu pai e inúmeras dificuldades, principalmente a falta de apoio da federação, para, enfim, ser tri-medalhista em uma Olimpíada (depois de ficar de fora de Londres-2012).

sábado, 20 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS: Martine e Kahena ficam com o ouro e mantém a tradição olímpica da vela


Amigas de infância e campeãs mundias em 2014, Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram o ouro na vela categoria 49er FX, que foi decidida apenas na última regata, na qual quatro duplas estavam empatadas em primeiro lugar no início da disputa.

As brasileiras passaram em terceiro lugar nas três primeiras boias e assumiram a liderança apenas na parte final da regata, se defendendo dos 'ataques' neozelandeses e cruzando a linha de chegada em primeiro (21min21s), apenas dois segundos à frente das rivais.

Com a prata garantida, Martine e Kahena decidiram arriscar. Na última boia, elas ultrapassaram a equipe da Nova Zelândia ao optarem por um lado da raia e as rivais pelo outro. A partir daí elas se mantiveram na liderança, mas as neozelandesas começavam a encostar, o que deixou a reta final muito emocionante. Ao cruzar a linha de chegada, as brasileiras pularam na água e comemoraram com o público presente na praia.

O ouro ficou com Martine e Kahena, que terminaram a competição com 48 pontos perdidos. Molly Meech e Alex Maloney, da Nova Zelândia, ficaram com a prata, com 51 pontos. O bronze foi para as dinamarquesas Jena Hansen e Katja Steen Salskov-Iversen, com 54.

A medalha da dupla brasileira manteve a tradição da vela brasileira, que garante ao menos uma medalha desde Atlanta-1996. Martine garantiu, também, a hegemonia da família Grael que agora soma oito medalhas olímpicas (Torben Grael, cinco medalhas - duas de ouro, uma de prata e duas de bronze; Lars Grael, dois bronzes; e agora Martine Grael, um ouro).